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30 de set de 2010

PONTA DO CABO BRANCO - II - A FALÁCIA: O MAR COMO ÚNICO INIMIGO DA FALÉSIA










[...CONTINUAÇÃO DA POSTAGEM ANTERIOR]
Nesta outra sequência de fotos veremos algumas evidências de que não somente o mar agride a falésia. O ser humano tem participação nos impactos negativos sobre ela. E, talvez pior, parece estar adotando a estratégia: "deixar como está para ver como ficará". Seguem-se as fotos numeradas e legendas:
7. Esta foto mostra trecho da Ponta do Cabo Branco que está sujeito aos impactos das ondas que contornam a extremidade proeminente. A corrente marinha predominante, vinda do sudeste, propicia esta situação. As rochas areno-ferruginosas são escassas nesse trecho, criando assim ponto de vulnerabilidade às ondas.
8.Nesta foto vêem-se dois trechos diferenciados: o da esquerda, não tendo rochas no sopé e nenhum outro obstáculo, torna-se vulnerável às ondas.
9. Nesta foto vê-se claramente que ocorreu desmoronamento a partir da parte superior da falésia. A areia acumulada atrás das rochas propiciou o aparecimento de vegetação, formando assim, no seu conjunto, um ponto de resistência aos impactos das marés. Chamo a atenção para o possível fato de que as ações antrópicas na parte superior da falésia possam estar contribuindo para seu desmoronamento (próximo à beira da falésia passa uma rodovia asfaltada, com uma canaleta para coleta de água pluvial que em chuvas fortes não consegue conduzir toda a água que recebe; a trepidação causada pelo trânsito de veículos na via asfaltada poderá também estar comprometendo a sustentação da areia).
10.Maré alta, de 2,8m, que ocorreu em 28/fevereiro/2006. As ondas castigam parte da falésia sem proteção.
11. Um trecho da falésia fotografado em 2010, quatro anos após a maré alta. O da esquerda, com rochas no sopé e vegetação, mostra-se mais protegido das ações das ondas do que o trecho da direita.
12. Esta foto mostra trecho sem proteção e vulnerável aos impactos das ondas.
13. A ousadia humana: construir "bem pertinho do mar".
14. A obra ousada tem sua preservação comprometida pelo plantio de árvore inadequada, transformando-se em "obra inútil" de grande impacto negativo paisagístico e prejudicial aos frequentadores da praia do Cabo Branco.
CONCLUSÕES:
1. TEMOS LIDADO COM A FALÉSIA DA SEGUINTE FORMA: “EXERCENDO PRESSÕES SOBRE SUA PARTE SUPERIOR E NADA FAZENDO PARA PERMITIR QUE NO SOPÉ A PRÓPRIA NATUREZA POSSA SE DEFENDER DAS AÇÕES DAS MARÉS”
2. ACREDITO MAIS NA SEGUINTE ESTRATÉGIA: “DEFENDERMO-NOS DO MAR E NUNCA ATACÁ-LO, INVADINDO SEU ESPAÇO”
3. SUCESSIVAS OBSERVAÇÕES AO LONGO DOS ÚLTIMOS 20 ANOS FAZEM-ME ACREDITAR QUE SUA DETERIORAÇÃO CONTINUARÁ OCORRENDO, PODENDO NUM BREVE FUTURO SER NECESSÁRIO ADOTAR MEDIDAS QUE DEMANDEM TRANSFORMAÇÕES RADICAIS DA PAISAGEM

29 de set de 2010

PONTA DO CABO BRANCO - I - PECULIARIDADES DA FALÉSIA








Ao longo de mais de duas décadas venho fotografando a falésia da ponta do Cabo Branco, na tentativa de entender as consequências do tratamento que nós paraibanos temos dado a esse importante marco geográfico nacional.
Não tenho nenhuma pretensão de apontar a causa principal da degradação da falésia, mas tão somente alertar para o fato de que, tanto as ações do mar "por baixo" na falésia, como as ações antrópicas "por cima" constituem-se em fatores que vem contribuindo, talvez com igual intensidade, para sua degradação.
Comento brevemente sobre as peculiaridades deste importante marco geográfico nacional, em duas postagens sucessivas: a primeira "PONTA DO CABO BRANCO - I - PECULIARIDADES DA FALÉSIA"; e a segunda postagem "PONTA DO CABO BRANCO - II - A FALÁCIA: O MAR COMO ÚNICO INIMIGO DA FALÉSIA".
A falésia do Cabo Branco é de origem sedimentar, da Formação Barreiras, originária do período Quaternário. Estende-se do Amapá ao Rio de Janeiro. Seus principais componentes são arenitos de cores variadas (vermelha, amarela, branca) intercalados por siltitos e folhelhos. São por isso friáveis, desagregando-se com certa facilidade pela ação de chuvas e ventos. A presença de vegetação é importante para sua sustentação.
Vejamos as fotos aqui anexadas, sendo as legendas numeradas na sequência das mesmas
1. Vê-se ao fundo o pontal dos Seixas, o verdadeiro marco do "ponto extremo oriental das américas".
2.Na zona entremarés do Cabo Branco formam-se as poças de marés,uma grande diversidade de habitats para animais marinhos, muitos deles ainda em fase de larvas.
3. Esponjas (alaranjadas) e ascídias (pretas)alojadas em poça de maré.
4. Proeminência do Cabo Branco, que apesar de ser o ponto mais avançado no mar, encontra-se bem preservado, com vegetação sobre a falésia e rochas na base.
5. As rochas areno-ferruginosas vistas nesta foto, constituem-se em local de amortecimento de impactos das ondas do mar.
6. Nesta foto vê-se a camada superficial de vegetação no topo da falésia. Embora a camada orgânica pareça ser somente de superfície (cerca de 1m de espessura), está assinalada nesta foto que a penetração das raízes deixa marcas na falésia em profundidade um pouco maior.
[CONTINUA NA POSTAGEM SUBSEQUENTE]

22 de set de 2010

MATA ATLÂNTICA: POR QUE CONSERVAR É A "PALAVRA-CHAVE"

Vejamos inicialmente o que é dito sobre conservação, no Glossário de Ecologia e Ciências Ambientais:
CONSERVAÇÃO
Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (“IUCN −
INTERNATIONAL UNION FOR THE CONSERVATION OF NATURE”), “conservação é o manejo
dos recursos do ambiente, com o propósito de obter-se a mais alta qualidade sustentável de vida humana”. Nesta conceituação, em que pese a forte conotação “antropocêntrica” com o uso da expressão “vida humana”, entende-se que o ser humano para alcançar “a mais alta qualidade sustentável de vida”, necessite preservar todos os componentes ambientais. A vida humana depende de sua interação com os componentes estruturais da Natureza, respeitando suas funções. Como a conservação é uma interação homem-Natureza, ela implica em atitudes inteligentes na utilização dos ecossistemas terrestres e aquáticos e também de melhoria das condições ambientais sem
que esses ambientes percam sua originalidade.
Há ainda, na nossa cultura, muita dificuldade em se entender que a Natureza evoluiu adotando mecanismos de auto-proteção e auto-sustentação que se interferirmos sem respeitar tais peculiaridades, o resultado será a temida degradação ambiental.
A floresta tropical, como a nossa mata atlântica costeira, armazena grande parte de seus nutrientes na fitomassa ou matéria vegetal viva (ao contrário das florestas de regiões temperadas, onde os nutrientes são armazenados predominantemente nos solos ricos), sendo por isso importante, mantê-la densa. Ela está inteiramente adaptada às fortes chuvas dos trópicos e apesar de sua exuberância, é um ecossistema frágil, ou seja, se a sua estrutura for mudada, mesmo que seja em pequena escala (como por exemplo, a passagem por dentro dela de uma rede elétrica ou de uma via de acesso asfaltada), serão muitas as conseqüências dessas perturbações (quedas de árvores ao longo da rede elétrica, erosão ao longo da via de acesso…), além de outras, imprevisíveis.
O vídeo de curta duração aqui anexado, destaca a importância da fitomassa na conservação desse rico ecossistema.

12 de set de 2010

NATUREZA EM AÇÃO: ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DA MATA ATLÂNTICA

Os ecossistemas do bioma mata atlântica ocupam as encostas voltadas para o mar, estendendo-se do litoral do Rio Grande do Norte ao do Rio Grande do Sul, beneficiando-se das influências climáticas do oceano Atlântico, daí seu nome. Segundo vários autores, esses ecossistemas são tão ricos em espécies vegetais quanto os da Amazônia, embora suas árvores sejam um pouco mais baixas (20 ou 30 m).
Segundo informações da Fundação SOS Mata Atlântica, em 1 ha dessa mata no estado do Espírito Santo(Estação Biológica de Sta. Lúcia), foram encontradas 476 espécies arbóreas, pertencentes a 178 gêneros e 66 famílias; sendo este o recorde de biodiversidade de árvores de florestas do mundo. Estima-se que, em relação ao que já existiu de Mata Atlântica na época do descobrimento do Brasil, menos de 5% estão hoje representados ao longo da costa brasileira.
Em termos fitofisionômicos (fitofisionomia: aparência de certo tipo de vegetação, independentemente de sua composição taxonômica, ou seja, refere-se à estruturação do ecossistema, em termos de seus estratos vegetativos: estratos arbóreo, sub-arbóreo, arbustivo, sub-arbustivo, herbáceo), observa-se que a Mata Atlântica tem uma "aparência caótica" típica das florestas tropicais: grandes diversidade e adensamento dos vegetais. Com isso há uma intensa competição pelo fator ecológico luz.
Outra característica importante é que a riqueza nutricional desse ecossistema concentra-se na camada superior do solo,fazendo com que as plantas mantenham seu sistema radicular próximo à superfície. De maneira bastante resumida, essas peculiaridades são mostradas no vídeo aqui anexado.

7 de set de 2010

SANEAMENTO: ESGOTO SUBTERRÂNEO E LAGOA FEDORENTA... GERAM VOTOS???




Nestes tempos de PAC (observem a coincidência: estas são as três primeiras letras da palavra PACIÊNCIA), aqui estão alguns dados pouco animadores sobre esse assunto, divulgados em O Estado de São Paulo ( "O Fracasso do Saneamento", O Estadão, 21 de agosto de 2010. Este ensaio foi a mim enviado pelo Eng.Sanitarista, MSc. Sérgio Rolim Mendonça (ex-consultor da OPS-Organização Panamericana de Saúde e Professor Emérito da Universidade Federal da Paraíba).

Rede de esgotos, fundamental para a saúde e para o desenvolvimento econômico, ainda é um luxo em quase metade das cidades brasileiras. Em menos de meio século, a migração do campo para a cidade mudou radicalmente a distribuição espacial da população. Pelo menos 85% dos brasileiros vivem hoje em cidades. Mais do que nunca precisam de serviços públicos de saneamento. Em 2008, no entanto, só 55,2% dos municípios dispunham de coleta por meio de rede sanitária. A informação é da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico divulgada na sexta-feira pelo IBGE. A melhora foi mínima desde a virada do milênio. Em 2000, a proporção era de 52,2%. O aumento foi de apenas 3 pontos porcentuais, embora o País tenha atravessado uma fase de prosperidade. Nesse período, a receita de impostos e contribuições cresceu rapidamente em todos os níveis de governo.
A média nacional de 55,2%, no entanto, ainda esconde situações dramáticas na maior parte dos Estados e regiões. No Sudeste, em 2008, havia redes coletoras de esgotos em 95,1% dos municípios. Em nenhuma outra região a proporção chegava a 50%. A melhor condição era a do Nordeste, com o serviço em 45,7% dos municípios.
O saneamento continuou precário mesmo nas áreas com redes coletoras. Nessas, 33,5% dos domicílios tinham acesso ao serviço em 2000. Oito anos depois eram 44%. (Mais de metade, só no Sudeste, com a proporção de 69,8%.) Só três unidades da Federação tinham números superiores a 50%: Distrito Federal (86,3%), São Paulo (82,1%) e Minas Gerais (68,9%).
Vários fatores contribuíram para a persistência de condições tão ruins. A Lei do Saneamento Básico só foi aprovada e sancionada em 2007, depois de quase dez anos de discussões. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva só assinou o decreto de regulamentação dessa lei há cerca de dois meses, no dia 21 de junho. Alguns Estados e municípios dispõem há muito tempo de serviços bem estruturados e com boa base técnica. Esses foram menos prejudicados pela demora na tramitação do projeto de lei.
Houve dificuldades, em muitas partes do Brasil, para a conclusão de contratos entre o setor público e possíveis prestadoras de serviços de saneamento. Além disso, muitos governos municipais foram incapazes, por falta de qualificação técnica, de preparar os projetos necessários para o recebimento de recursos federais. Havia dinheiro, mas faltavam condições técnicas e administrativas para a sua aplicação em programas de saneamento.
Esse detalhe foi aparentemente menosprezado quando se elaborou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em 2007. A participação dos governos estaduais e municipais seria essencial para a realização de investimentos importantes, mas não estavam preparados. O problema só foi percebido muito depois. Resultado: apenas 12% das obras de saneamento previstas no PAC foram concluídas até abril deste ano, segundo levantamento publicado na quinta-feira pela organização Contas Abertas, especializada no acompanhamento das finanças e da gestão públicas. Os dados constam de 27 relatórios estaduais do Comitê Gestor do PAC divulgados em junho.
Das 8.509 ações programadas para o período 2007-2010, só 1.058 foram terminadas até abril. Estavam sendo executadas 2.627. As demais 4.824 continuavam em licitação, contratação ou ação preparatória (no papel, portanto).
A Fundação Getúlio Vargas tem realizado pesquisas sobre os problemas de saneamento e suas implicações econômicas e sociais. Segundo estudos citados num desses trabalhos, cada R$ 1 aplicado em saneamento resulta em economias na faixa de R$ 1,50 a R$ 4 em gastos com saúde. Além disso, há uma significativa redução nas faltas à escola e ao trabalho e, portanto, menor desperdício de recursos e de oportunidades. Um trabalhador com acesso à rede de esgotos tem produtividade cerca de 13% maior que a de pessoas sem esse benefício. Tem maior possibilidade, portanto, de ganhar mais e de elevar as condições de vida e as perspectivas de progresso da família. Nesse caso, como no da educação, os efeitos tendem a multiplicar-se e os benefícios vão muito além do indivíduo.
Em termos políticos fica a velha observação, brasileiríssima: “Alguém já viu algum político ganhar voto por que inaugurou esgoto”?

6 de set de 2010

QUEIMADAS: HOJE E SEMPRE (?). VEJAM O MAPA DO FOGO NOSSO DE CADA DIA


Visitem o site http://meioambiente.cptec.inpe.br/ do INPE-Instituto de Pesquisas Espaciais e vejam o mapa diário num dos links ali disponíveis, o da Detecção de Queimadas.
Visitei-o hoje, 06/09/2010 e colhi a imagem aqui anexada.
Notícia divulgada no site www.ambientebrasil.com.br mostra mais um exemplo do descaso e da impunidade no trato com nossos ambientes naturais. É impressionante a ignorância relacionada a manejo de pastagens.Queimar pastagem nas regiões centro-oeste e sudeste neste período de baixíssima umidade atmosférica é mais do que "falta de bom senso". É uma irresponsabilidade sem limite!!! Veja a notícia divulgada por "ambientebrasil":
"Novos incêndios atingiram áreas florestais no Rio de Janeiro. No Parque Estadual dos Três Picos, administrados pelo Instituto Estadual de Florestas, Inea, cerca de 80 hectares de pastagens, florestas e campos rupestres foram atingidos.
A administração do parque acredita que o fogo teve início a partir de queimadas de limpeza de pasto realizadas por proprietários rurais do entorno do parque. O fogo alastrou-se ...para o parque devido às condições climáticas, com tempo seco e baixa umidade.
Será apurada a responsabilidade dos suspeitos, que podem ser multados e responder a processo por crime ambiental".

2 de set de 2010

O FOGO NO NOSSO PATRIMÔNIO NATURAL E A VALORAÇÃO AMBIENTAL


Com as notícias diárias vistas em diversos “sites” na “internet” (nalguns dos “links” constantes neste “blog”) (Pôxa! Quanto anglicismo!!!), fui rever alguns dados disponíveis sobre a questão da valoração ambiental. Vejamos inicialmente o que é dito no Glossário de Ecologia e Ciências Ambientais, do autor deste “ecologiaemfoco”, sobre:
VALORAÇÃO AMBIENTAL
Trata-se, em economia ambiental, da atribuição de um valor econômico a um recurso ambiental. Parte-se do princípio de que todo recurso natural tem um valor intrínseco que lhe é atribuído pelo ser humano, na expectativa de que tal recurso contribua para o bem estar social. Na verdade, segundo afirma ORTIZ (2003), esse “valor” atribuído a um recurso natural qualquer reflete as “preferências das pessoas”. Assim sendo, são também incluídos nessa valoração os valores morais e éticos. Entre os diversos valores econômicos de recursos ambientais, citam-se como exemplos: valor de uso direto: aquele que deriva da utilização ou consumo direto do recurso (ex.: recursos hídricos); valor de uso indireto: aquele advindo das funções ecológicas do recurso ambiental ou derivado de uso ex-situ ao ambiente do recurso em consideração (ex.: qualidade da água, ar puro, conservação do solo, preservação de água subterrânea...); valor de opção: refere-se à quantia que as pessoas numa sociedade estariam dispostas a pagar para manter o recurso ambiental para uso futuro (ex.: manutenção de água em aquífero); valor de existência ou de não uso: implica em manter certo recurso sem usá-lo, guardando-o para o futuro (ex.: reserva florestal).
Os valores de uso indireto, acima mencionados, configuram-se em:
SERVIÇOS AMBIENTAIS
Atividades ou funções executadas pela Natureza e que têm sido vistas recentemente, como de benefícios imprescindíveis à vida e que podem ser submetidas a avaliações econômicas. Como sejam: o ar que todos respiram, a regulação hídrica (o ciclo da água), o ciclo de nutrientes, produção de alimentos, recursos genéticos (e recursos naturais em geral), regulação da temperatura atmosférica e das águas, absorção e degradação natural de poluentes gerados pela humanidade etc. Este é um dos importantes aspectos tratados em economia ambiental ou da Natureza. A valoração ou estimativa econômica desses “serviços” pode ser vista em ODUM (1996), que denominou esta área de estudo como contabilidade ambiental.

No Quadro acima são destacadas as quatro categorias de serviços ambientais que influenciam na manutenção dos ecossistemas e na economia de uma região (poderia ser uma Unidade de Conservação)(reproduzido de documento da FAO, 2007).

Em estudo feito sobre a “Valoração Ambiental como Ferramenta de Gestão em Unidade de Conservação”, os pesquisadores Ana Lucia CANPHORA e Peter Herman MAY (MEGADIVERSIDADE | Volume 2 | Nº 1-2 | Dezembro 2006) divulgaram os seguintes resultados de estudo realizado por MILKHAILOVA & BARBOSA (citados por eles), com turistas, no Parque Estadual Rio Doce (36.000 ha; o maior remanescente de Mata Atlântica de Minas Gerais):
DAP-Disposição a Pagar,pelos turistas, por SERVIÇOS REGULADORES [a coluna do meio, no Quadro 1] = U$261 mil/ano e por SERVIÇOS RECREATIVOS - TURISMO E LAZER [a coluna da direita, no Quadro 1] = U$938 mil/ano.
Portanto, a percepção do ser humano pela importância que exerce os ecossistemas na qualidade de vida ambiental (incluindo a própria sociedade humana, é claro!), é ÍNFIMA.
Os dados divulgados pelo INPE (ver “link” neste “blog”) de que em agosto/2010 foram registrados 26.968 focos de incêndio, um aumento de 260% em relação a agosto/2009, não parece que causarão muita comoção entre nosso povo!!!
Dados recentes, divulgados sobre as queimadas: 1) O Ibama aplicou em um só dia R$ 14,5 milhões em multas no município de Extrema (a 340 km de Porto Velho) por causa de queimadas [multas aplicadas pelo Ibama, em área de pastagem R$1.000,00 por ha e em área de conservação R$5.000,00]. 2) As queimadas autorizadas, não podem ser feitas quando a umidade estiver abaixo de 20% [estima-se que o ar seco se prolongará até no mínimo setembro/2010]. 3) Uma estimativa do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) mostra que os incêndios já consumiram cerca de 500 mil ha (= 5.000 km2) de vegetação de reservas e que no Parque Nacional das Emas (sudoeste de Goiás) o fogo destruiu 80% dos seus 136 mil ha.
Finalizando, estima-se que seria necessário INVESTIR APENAS U$4 bilhões por ano na conservação de ampla rede mundial de áreas protegidas. Eu destaquei o APENAS, por que: 1) Orçamento do Depto. de Defesa dos Estados Unidos em 2010: U$636 bilhões. 2) Custo da corrupção no Brasil: U$23 bilhões anuais (= R$41,5 bilhões de nossos reais. 3) Custo do nosso Congresso Nacional (Senado e Câmara Federal): R$6,1 bilhões (exatamente a mesma quantia destinada ao Ministério da Ciência e Tecnologia).
E vamos nós “repetir a dose” neste “novo” governo que se aproxima!!!